Documentos revelam como o Exército se articulou para ocultar explosões no
Riocentro
Tudo isso a população brasileira já intuía, por meio de depoimentos. O que até
agora permanecia oculto – e está sendo revelado por Zero Hora, em primeira mão –
são registros de militares envolvidos no episódio e manobras de abafamento do
incidente, arquitetadas por servidores da repressão.
O segredo está em arquivos que eram guardados em casa pelo coronel reformado do
Exército Julio Miguel Molinas Dias – assassinado aos 78 anos, em 1º de novembro,
em Porto Alegre, vítima de um crime ainda nebuloso. Molinas Dias era, na época
do atentado, comandante do Destacamento de Operações e Informações - Centro de
Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) do Rio de Janeiro, conhecido como
Aparelhão. O arquivo do coronel continha 200 páginas, várias delas encabeçadas
pelo carimbo “confidencial” ou “reservado”. O calhamaço evidencia que o aparelho
repressivo militar tentou maquiar o cenário do Riocentro para fazer com que as
explosões parecessem obra de guerrilheiros esquerdistas.
Os registros
estavam guardados pelo minucioso oficial. A unidade comandada por Molinas era
reponsável por espionar e reprimir opositores ao regime militar. O DOI-Codi era
localizado dentro do 1º Batalhão de Polícia do Exército, na Rua Barão de
Mesquita,no bairro da Tijuca. Ao se aposentar, o coronel levou para casa
documentos preciosos, contando pormenores da sigilosa rotina da caserna. O
dossiê deixa transparecer que a bomba no Riocentro também fez estragos dentro da
sede do DOI-Codi, distante 30 quilômetros do centro de eventos.
sábado, 24 de novembro de 2012
Missão Nº 115. Esse era o nome oficial da vigilância desencadeada pelos serviços de espionagem do Exército no centro de convenções Riocentro, no Rio, em 30 de abril de 1981, quando 20 mil pessoas ali se reuniam para um show musical em protesto contra o regime militar. Duas bombas explodiram lá, e os agentes “supervisores” da ação foram as únicas vítimas do episódio, que lançou suspeitas sobre atividades terroristas praticadas por militares e mergulhou em agonia uma ditadura que vinha desde 1964 e acabaria sepultada em 1985.
Missão Nº 115. Esse era o nome oficial da vigilância desencadeada pelos serviços de espionagem do Exército no centro de convenções Riocentro, no Rio, em 30 de abril de 1981, quando 20 mil pessoas ali se reuniam para um show musical em protesto contra o regime militar. Duas bombas explodiram lá, e os agentes “supervisores” da ação foram as únicas vítimas do episódio, que lançou suspeitas sobre atividades terroristas praticadas por militares e mergulhou em agonia uma ditadura que vinha desde 1964 e acabaria sepultada em 1985.Tweet this!
Postado por
HUGO MELLO
às
13:06


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