Verdade que o tempo de Chico Buarque é o da delicadeza, mas também é o da distensão, do fazer sem pressa. Cinco anos depois de seu último álbum de estúdio, "Carioca", chega hoje às lojas de todo país seu novo trabalho, prosaicamente batizado "Chico".
Para começar a engendrar o novo rebento, ele teve que se livrar de "Leite Derramado", seu último livro, de 2009, esperar que os vínculos com a literatura se dissipassem, buscar novamente a musa música e gastar longos meses no processo de composição - que resultou nas dez faixas do novo álbum - antes de entrar em estúdio.
Na entrevista que a gravadora Biscoito Fino, responsável pelo lançamento, disponibilizou na internet, Chico fala sobre como seu processo de criação demanda tempo. "Desde o disco anterior, eu não compus mais nada. Fiz uma turnê, viajei, cantei por aí durante um ano e em seguida comecei a escrever meu livro, o que me tomou mais um ano e meio. Daí, precisei de mais um tempo para me desligar da literatura, essa história toda que vai se repetindo há quase 20 anos", diz, aludindo à alternância entre discos e livros que vem praticando. Com gosto, diga-se.
"Está dando certo esse processo. Não é uma coisa mecânica, obedece à minha necessidade, a um certo fastio da música e, depois, ao cansaço da literatura", aponta. Ele diz que as pedras fundamentais de "Chico" foram uma música de Ivan Lins em que ele - naturalmente depois de algum tempo - pôs letra ("Sou Eu", já gravada por Diogo Nogueira e pelo próprio Ivan) e a valsa "Nina", que veio à luz após um período de gestação.
Piano. "Depois que me desliguei inteiramente do livro e dos assuntos todos que envolvem o livro, aí foi dando aquela vontade de compor de novo. Comecei a tocar um pouco de piano, que não sei tocar, e a buscar no violão alguma coisa. Nisso levou mais, talvez um ano, até eu escrever a primeira música dessa nova leva, que é a ´Nina´. A partir daí, uma foi puxando a outra, fiz essa valsa, depois um blues, depois um samba, mas com intervalos de um a três meses entre uma e outra, fazendo, compondo, refazendo, descompondo, recompondo até chegar à forma musical e harmônica definitiva", diz.
Chico conta, no vídeo da entrevista, que depois vieram os ensaios, na casa do maestro Luiz Cláudio Ramos, também sem pressa. Esse tempo dilatado, ele aponta, serviu para que as músicas ficassem encorpadas, e o repertório, devidamente sedimentado. Em boa parte das faixas, Chico, além de cantar, toca violão, o que ele diz ter acontecido de modo quase acidental.
"A gente começou a ensaiar e fui tocando, ninguém falou nada, ninguém tirou o violão da minha mão. E tinha lá o microfone para gravar", diz. O álbum traz as participações especiais de Wilson das Neves em "Sou Eu", João Bosco em "Sinhá", da qual é coautor, e Thais Gulin em "Se Eu Soubesse" - a outra música do disco que já tinha registro anterior, dela própria.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
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