sábado, 30 de abril de 2011

Além dos portões das usinas nucleares Deputado Rafael Picciani - PMDB

Deputado Rafael Picciani- PMDB
O acidente com a usina nuclear de Fukushima, no Japão, provocado por um terremoto seguido de tsunami, no dia 11 de março, colocou em xeque programas nucleares em todo o mundo e reforçou a tese daqueles que são contrários a este tipo de energia, o que é compreensível. O acidente japonês atingiu nível 7 na Escala Internacional de Eventos Nucleares (INES), colocando o desastre no mesmo patamar do ocorrido em Chernobyl, na Ucrânia, em 1986.

Fukushima impôs novas regras mundiais de segurança e fez com que todos os países que possuem usinas nucleares reavaliassem sua política de energia, inclusive o Brasil, onde há ainda  muita desinformação e desconhecimento sobre seu programa nuclear. Pouco se sabe sobre as usinas instaladas em Angra dos Reis. Daí decorrem duas questões: 1) será que vale o risco? 2) Podemos abrir mão dessa energia?

Sobre a questão da segurança, é fato que a probabilidade de ocorrência de um acidente natural da proporção de terremoto ou tsunami no Brasil é remotíssima. Ainda que aconteça, nossas usinas estariam preparadas para suportar um tremor de até 6,5 graus. Estão entre as mais eficientes do mundo e não perdem em tecnologia para nenhuma outra. O Brasil domina a construção, operação e manutenção das usinas nucleares. Somos gente grande no que se refere a energia nuclear.    

Aprendi isso ao acompanhar recentemente uma visita da Comissão de Defesa Civil da Alerj ao complexo nuclear de Angra, a convite da Eletronuclear. Constatei o quanto são seguros os locais onde estão instaladas as usinas. Mesmo na área de armazenamento de rejeitos, o aparelho que levamos para medir o índice de radioatividade sequer saltou do zero, comprovando o que dizem os técnicos sobre os valores de exposição à radiação. Para se ter uma ideia, num simples exame cardíaco a exposição à radiação é de 10 msv/ano, enquanto no Centro de Rejeitos de Angra é de 0,3 msv/ano. Nos últimos dez anos, foram registrados dois apagões em Angra 2. Apesar de preocupante, a falta de energia, nos dois momentos, foi considerada como incidente nível zero na escala INES.

No entanto, considerando a hipótese, ainda que remota, de um acidente, os fatores externos é que continuam sendo os maiores vilões do complexo. Apesar de todo o rigor com o monitoramento dos índices de radioatividade, nas simulações de acidentes, prevenção e alertas à população, e dos investimentos de quase R$ 20 milhões/ano na manutenção dos aparelhos comprados para a usina Angra 3, em construção, é a topografia da cidade e a infraestrutura local o que mais preocupam.

Os projetos de ampliação da rodovia BR 101 (Rio-Santos) nunca saíram do papel. A estrada que já era precária ficou ainda pior com os deslizamentos ocorridos desde as chuvas janeiro de 2010. Várias barreiras ainda obrigam os motoristas a seguir em esquema de pare e siga. O posto da Polícia Rodoviária Federal de Mambucaba foi desativado, por falta de efetivo. Me pergunto por que a preocupação com a segurança da usina não se estende à BR-101.     

Uma rota alternativa de fuga pelo mar em caso de acidente já vinha sendo estudada pelos técnicos da usina mesmo antes do episódio do Japão, assim como a instalação de um aeroporto para aviões de médio porte já foi cogitada pela prefeitura, mas o plano ideal seria o de duplicação da estrada. Só pelo fato de ser o único município a abrigar usinas nucleares, Angra dos Reis, teria que ter um tratamento diferenciado. Esses investimentos são importantíssimos  para garantir a total segurança da área e permitir a expansão do programa nuclear brasileiro, fundamental para o apoio as demais matrizes energéticas e para o crescimento do país.

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